domingo, janeiro 21, 2007

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

A ponte da Arrábida como nós a vimos a 25 de Março de 2005.

Quando sofro possuo a Natureza configuro
até à exaustão o recesso da rocha
involuntariamente em que imagino
o gorjeio. Escolho repleta de camélias
a vereda sem nenhum resíduo alheio
só o das imagens da flor de lótus
vim até à muralha. É um Museu

Romântico, no muro do musgo, no baixo-relevo
está o perfil egípcio, oiço o tenor,
o da sintonia, do regresso das expedições,
confundo o buxo das camélias com um labirinto
róseo.

Que figura de flor tem o sentido mais próximo
ou coevo?
O único hino, tanto o som o dissipa,
perde-se.
Era nítido o espaço rodeado pelo cedro,
pedra corporizada,
uma síntese no estado presente
do tempo do espírito.


Fiama Hasse Pais Brandão (1976) Camélias (Museu Romântico do Porto)

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4 Carruagens:

Blogger Luzinha said...

Bela homenagem!
Com uma bela foto e um belíssimo poema!
Gostei!

:o)))))

domingo, janeiro 21, 2007 3:17:00 da tarde  
Blogger Rio Fernandes said...

A foto está magnífica.
Bela homenagem. E um óptima forma de fazer lembrar o valor do reencontro com a natureza, com o belo e o autêntico (seja isso o que for hoje e para cada um, no Porto). Por mim reconheço-lhe recantos magníficos, como no Museu Romântico, mas também nos jardins do Palácio de Cristal ou de São Lázaro, nas ruas da antiga quinta do Reimão, ou em espaços perdidos na Foz como ou em Azevedo de Campanhã. E isso é bom. E especialmente tranquilizador, porque nos faz optimistas, sabendo que "há sempre uma cidade que resiste".
Rio Fernandes

domingo, janeiro 21, 2007 3:59:00 da tarde  
Blogger José Eduardo said...

Cenário lindíssimo! ;)

domingo, janeiro 21, 2007 11:20:00 da tarde  
Blogger M A R I A N E said...

Beleza!!!! Muita beleza!!!

terça-feira, janeiro 23, 2007 2:13:00 da manhã  

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