sábado, setembro 30, 2006

Superioridade moral.

Por vezes, não sei com o que embirro mais: se com a obsessão nacional com o Benfica (que legitima tudo o que se faça em prol do clube da freguesia de Lisboa), se com a mania da superioridade moral da lagartagem, o clube dos viscondes, betos e intelectuais deste país.
Isto a propósito do texto Azul e branqueado de CLeone no Esplanar, onde o autor pretende mostrar que os media beneficiam permanentemente o F.C.Porto (em particular o jornal Público) quer no que se refere a questões ligadas à justiça, quer nas análises à carreira desportiva das equipas de futebol.

  1. Se Cleone acha curiosa a suposta falta de destaque que teve nos media o alegado aviso prévio a Pinto da Costa por fonte da PJ, a mim surpreende-me o pouco destaque dado ao facto de Pinto da Costa efectivamente ter deixado de ter acusações de crimes de corrupção desportiva activa no âmbito do Apito Dourado, apesar de todo o barulho que se fez em torno da sua apresentação na judiciária para prestar declarações (até direito a imagens em directo teve). Ou, a propósito de destaques, porque é que a equipa do Sporting está todos os dias a ser propagandeada como um recheio interminável de jovens talentos e essa virtude nunca é atribuída ao F.C. Porto, que entre os habituais titulares tem Pepe, Cech, Ibson, Raul Meireles e Quaresma com 23 anos, Vieirinha com 20 e Anderson com 18.
  2. Se para si a frase «Baía é Baía e está tudo dito» não lhe chega, deixe-me lembrar-lhe que Baía é tão só o mais titulado jogador do planeta e leva quatro títulos de vantagem sobre os míticos Pelé e Rijkaard. Baía sozinho tem mais títulos que todo o plantel do Sporting.
  3. Se tem boa memória para entrevistas, eu também tenho. Assim de repente, recordo-me das entrevistas do programa "Donos da Bola" (seguramente mais um programa que defendia intransigentemente o F.C.Porto!) como aquelas ao antigo presidente do Imortal e do Farense, o inefável Fernando Barata, em que tudo servia para achincalhar os sucessos internacionais do clube azul e branco (nessas ocasiões, o bacoco patriotrismo em torno das equipas portuguesas desaparecia misteriosamente). Ou daquela entrevista famosa ao vosso ex-presidente Santana Lopes que dizia saber tudo sobre a corrupção no futebol (como uns jantares em Canal Caveira…) mas, que se saiba, nunca fez queixa de nada. Ou das entrevistas com o antigo presidente Dias da Cunha que persistentemente se queixava do sistema, mas que igualmente jamais se moveu judicialmente.

E se, de facto, apelarmos à memória, então recordar-me-ei de presidentes como João Rocha ou do fugitivo Jorge Gonçalves (Bigodes), que parece estar agora preso em Angola. Lá no fundo do baú tenho as 4 vezes consecutivas que Lucílio Baptista apitou o Sporting-Porto, sempre prejudicando o Porto (o rol é tão grande que não o vou enumerar), ou a bola que Ricardo defendeu bem dentro da baliza no ano passado contra o Leiria (sem que o actual presidente pedisse para se repetir o jogo por questões de fair-play...), ou a vitória em Alvalade quando o Robson era treinador dos dragões em que tivemos que marcar 2 golos para ganhar 1-0, ou ainda da final da taça vencida em Lisboa (como sempre, para beneficiar o Porto, está claro!) em que os Sportinguistas pouco satisfeitos apedrejaram tudo (inclusivamente a ministra Manuela Ferreira Leite que, imaginem só, é irmã de Dias Ferreira, conhecido sportinguista!), e tantas outras histórias pouco elitistas e nobres, ainda que ligadas ao clube de Alvalade. Ah! E, já agora, o único jornalista desportivo do Público que conheço pessoalmente, acreditem ou não, é sportinguista.

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