sexta-feira, setembro 29, 2006

máxima oriental

Numa saga interminável, Cristina Santos no blog "A Baixa do Porto" vai tentando catequizar os portuenses através da famosa técnica "Dá uma no cravo, outra na ferradura", post após post. Todas as decisões de fundo da actual edilidade são sempre glorificadas, compreendidas ou desculpadas, enquanto, aqui e ali, lá se solta uma crítica levezinha, actuando como num baloiço para meninos da primária: a cada movimento para trás, segue-se um empurrão mais vigoroso para a frente.
Noutros casos, em que a teimosia assim obriga, repete-se infindavelmente o mesmo erro, a ver se o chumbo flutua na água.
Mas, minha cara (Doutora? Engenheira? Arquitecta?), uma conhecedora tão profunda da cidade e de todas as acções da edilidade, numa tão estreita sintonia entre o sentimento do comum cidadão e a mais pequena intenção de Rui Rio, deveria refreá-la a escrever frases como: "a cada quezila que originamos vamos ficando para trás no desenvolvimento" ou "O que está feito pode ser corrigido, o que não está feito não existe".
Aquilo a que chama quezílias surgem precisamente da ausência de discussão pública sobre a linha da Boavista, da imposição ditatorial de uma solução que visou acima de tudo responder aos sonhos de menino Rio que queria uma corrida de pópós na Avenida. Tão só!
E além disso, deixe-me que lhe diga. Se alguém quis quezílias ao longo destes últimos cinco anos foi precisamente o actual presidente da câmara, com a Ministra da cultura, com o Futebol Clube do Porto, com o Bolhão, and so on...
E quanto a essa máxima de provável inspiração oriental: "O que está feito pode ser corrigido, o que não está feito não existe", não se aplica seguramente nem ao Jardim da Cordoaria, nem à Avenida dos Aliados, em que o que está feito de mal, destruiu irreparavelmente o que existia bem (ao qual faltariam apenas alguns retoques).
Aplicar-se-á, isso sim seguramente, à inexistência de oferta cultural identitária da cidade, que, num total adormecimento, nem comemora o aniversário da morte de Almeida Garrett ou de Aurélio da Paz dos Reis, entre tantas outras ausências.

2 Carruagens:

Blogger trazmumbalde said...

Não tenho visitado muito "a baixa do Porto" apesar de ter sido um blog que lia diáriamente, mas pelo que estou a ver aqui, por lá mantém-se tudo na mesma...

sexta-feira, setembro 29, 2006 10:40:00 da manhã  
Anonymous Cristina Santos said...

Muito boa tarde,


Parece-me que a ideia de metro na avenida não é uma originalidade de Rui Rio, seja como for é urgente ter o metro a servir toda a Cidade, se continuarmos assim não haverá mais linhas … é que enquanto discutimos em casa, gasta-se o dinheiro lá fora.*

Acho que deve existir metro que sirva toda a cidade e não se limite a fazer o transbordo da periferia; Em relação à Avenida, por exemplo, este Verão dediquei muitos dos meus dias a ver como se acomodam os munícipes a caminho da Praia, notei como as crianças dos Infantários e ATLS tem que recorrer a serviços de transporte menos seguros, devido ao facto de não existir essa linha, para mim é uma linha urgente, mais estudos e alterações implicam atraso no nosso desenvolvimento.

Depois e noutra esfera, tenho que concordar com alguns dos comentários do seu post, eu própria faço essa análise ao que escrevo.
Não sou , como de costume me apelidam, uma defensora acérrima do mandato de Rui Rio, há coisas que acho bem e coisas que acho mal. Tento fazer um apanhado, compara-lo com o anterior, e com a actual alternativa que simplesmente continua a não existir.
Gostei do 1º mandato, mas não passei cheque em branco para uma maioria, alias tentei no que pude evita-la, sabia que dai resultariam danos e vingançazinhas perigosas para a Cidade.
Nas cronicazinhas que vou escrevendo tenho sempre 3 pontos em atenção – Não temos alternativa faltam 3 anos e o regime não será derrubado - Não existe oposição nesta Cidade e sou contra a megalomania dos mandatos da década de 90 – Não podemos criticar tudo, há que existir uma selecção (do mal o menos) para que quando existam razões de fundo possamos ser ouvidos e não vulgarizados.
As vezes erro, outras exagero, é certo, lá de longe a longe até acerto

Por ultimo não sendo médica, nem advogada, não tendo feito o doutoramento e atendendo a que as minhas expressões orientais superiorizam as do Saramago, mas Portugal não me vai atribuir nenhum título, o meu remédio é escrever enquanto cidadã, …. Também verdade seja dita, teria que ter no mínimo 2 décadas de pratica profissional, para legitimar nesse facto o meu direito de comentar e argumentar sobre a nossa Cidade, como não os tenho a minha participação na Baixa do Porto é mesmo enquanto pessoa, ao menos ai tenho anos de experiência.

M. Cumprimentos

segunda-feira, outubro 23, 2006 6:46:00 da tarde  

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